Sobre a Costureira Ciclista


Pouco depois de nos mudarmos para Campolide, o André decidiu trocar o carro pela bicicleta. Como ambos trabalhamos na zona do Campo Grande, não fazia sentido, que, por uns meros 5 km, tivéssemos de enfrentar diariamente todo o trânsito, semáforos, confusão e aspirantes a Michael Schumacher que povoam as artérias lisboetas.


Na altura não achei que ir de bicicleta fosse vantajoso e levantava os mesmos obstáculos que a maioria das pessoa: 


  • Ir de Campolide até ao Campo Grande ?! Isso é muito longe !!!!
  • E as subidas ?!? Lisboa tem muitas subidas e eu não consigo ...
  • E os carros ?! Ainda me atropelam e fico ali deitada numa valeta !
  • Ah mas vou transpirar, depois chego suada ao emprego ... blhec!
  • Não há sítio para arrumar a bicicleta.
  • E quando estiver a chover?! É que às vezes chove bastante...
  • E se for assaltada ? É que saindo do trabalho à meia noite é perigoso!

Acabei por optar, durante algum tempo, pelo autocarro. Até ao dia em que o André foi de carro para o emprego e deixou a bicla dele em casa ...

« Hummm... vamos lá ver como é que é isto de ir de bicicleta » - pensei. E decidi experimentar.

Não vos vou dizer que foi um mar de rosas. Não foi. A subida da Marquês da Fronteira foi, durante algum tempo, uma chatice. E por mais do que uma vez que tive de ir a empurrar a bicicleta por ali acima. 

Vergonha ? Nem por isso. 

Uns tempos de pois também eu acabei por comprar a minha bicla: a Maria Francisca. 

Cheguei à conclusão que a maioria dos obstáculos não são assim tão difíceis de ultrapassar. Sim, há dias em que é chato apanhar chuva. 
Há dias em que chego transpirada ao destino.
Há zonas em que pedalo tranquilamente e outras em que pedalo com precaução.

Mas, fazendo um balanço dos aspectos positivos e dos negativos, diria que os primeiros superam largamente os segundos.

- Então e as subidas ? - perguntam vocês.

Bom... em caso de emergência, podem sempre empurrar a bicla :)  










5 comentários:

  1. Gostei de ler este testemunho!
    Uma mudança lógica e simples mas ainda estranha à nossa cultura "carro-dependente". Felizmente parece que as coisas estão a mudar.
    E essa condição da bicicleta entrar tapada... bom, não conheço as razões e parece que o "problema" foi bem contornado e até contribuiu para uma coisa boa, mas pergunto: porque ter que tapar a bicicleta??? estranhei.
    p.s. - vou começar a acompanhar o blog ;)
    Cumprimentos
    Júlio Santos

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  2. Olá Júlio!

    Antes de mais, bem-vindo ao blog ! Fico contente por ter gostado do testemunho que, de certo modo, é o meu pequeno contributo para tentar mudar essa "cultura carro-dependente" de que fala.

    Em relação ao facto de ter de tapar a bicicleta...Creio que o motivo tem essencialmente a ver com o impacto visual. Quer queiramos ou não, a utilização da bicicleta continua a ser mais associada ao aspecto recreativo e de lazer do que ao aspecto utilitário. Entrar de bicicleta no emprego seria assim o equivalente a ir trabalhar de havaianas e com uma piña colada na mão :/

    Mas as mentalidades estão a mudar e a prová-lo está o facto de, apesar de tapada, a bicicleta poder entrar e ter até um lugar para ela! Quem sabe o que se segue ? :)



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  3. Uma curiosidade: Porque é que a bicicleta tem de entrar tapada na empresa?

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    1. Olá Ana Jorge!

      Creio que estará relacionado com o impacto visual que causa. No entanto, o facto de me ser permitido guardá-la, em segurança, no interior da empresa (ainda que tenha de entrar tapada), demonstra alguma receptividade à mudança e a aceitação da bicicleta como meio de transporte.

      Por isso, apesar desta pequena condição, fico contente por poder guardar a Maria Francisca em segurança :)
      Quem sabe se não haverão mais colegas a ficar com "o bichinho" ... ;)

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  4. Li e gostei do blog. Também pedalo de bicicleta dobravel (trabalho, lazer e cicloturismo)...

    Ciclooabraços
    joaozinho - Santo Andre, Brasil

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